sábado, 3 de fevereiro de 2018

Os soviéticos foram pioneiros do “photoshop” (mas a propaganda até tem inspiração religiosa)

UNIÃO SOVIÉTICA
Tiago Palma
2/2/2018, 18:50
Yevgeny Khaldei acrescentou à própria fotografia oficiais soviéticos hasteando a bandeira vermelha sobre o Reichstag, na Alemanha, para esconder os soldados que na fotografia original saqueavam um prédio























A curadora da exposição "Red Star Over Russia" no museu Tate Modern, em Londres, garante que "as 'fake news' não foram inventadas com o Twitter; foram usadas na década de 1930 pelos soviéticos".

Josef Stalin foi secretário-geral do Partido Comunista da URSS a partir de 1922 e lideraria os destinos soviéticos até 1953, aquando da sua morte, vítima de derrame cerebral. 
Pouco antes da ascensão de Stalin ao poder, surgia a Vkhutemas, escola artística de Moscovo – que sucedeu à SVOMAS, criada após a Revolução de Outubro. 
Para melhor compreender o regime de Stalin é importante compreender também a Vkhutemas, que seria fundamental na propaganda da União Soviética, optando por um design de “causas” – a causa tornar-se-ia, pouco a pouco, o culto do seu líder mais até do que ideológica – em vez de um design meramente preocupado com a estética – este era mais desenvolvido, então, na escola alemã da Bauhaus, por exemplo.
Stalin, em 1926, rodeado de camaradas… (Créditos: The David King Collection at Tate)

No museu Tate Modern, em Londres, e por ocasião do centenário da Revolução de Outubro, está patente a exposição “Red Star Over Russia”, que reúne imagens (de fotografias políticas a cartazes de propaganda) da União Soviética entre 1905 e 1955. 
E aqui é possível ver que os soviéticos foram pioneiros, por exemplo, na manipulação de fotografias, numa espécie de “photoshop” primitivo. 
A curadora da exposição, Natalia Sidlina, explica à BBC o porquê da relevância (e atualidade) da exposição. 
“Nós vivemos na Era das fake news. 
Mas estas não foram inventadas com o Twitter ou o YouTube; foram usadas na década de 1930 [pelos soviéticos] para, por exemplo, fazer desaparecer pessoas de fotografias”, garante.
…duas décadas depois, Stalin aparece sozinho (Créditos: The David King Collection at Tate)

Para compreender este “desaparecimento” basta olhar atentamente uma fotografia de Joseph Stalin rodeado de camaradas. 
Uma fotografia em que, duas décadas depois, constava apenas com o Stalin, tendo sido apagados da imagem oficial (e da história soviética) os restantes. 
O diretor de exposições do Tate Modern, Matthew Gale, explica que “a relação entre essas maneiras de tirar as pessoas da história e a imagem ‘photoshopada’ do presente é bem significativa, um aviso para todos nós neste momento”. 
E acrescenta: “É uma das nossas preocupações hoje: até as imagens convincentes podem ter sido facilmente manipuladas”.
“A Mulher Emancipada: Construa o Socialismo!” (1926), por Adolf Strakhov (Créditos: The David King Collection at Tate)

Mas nem sempre o culto do líder Stalin fez parte da propaganda da URSS. 
Emblemática é a imagem criada por Adolf Strakhov da emancipada mulher soviética. 
Aqui, Matthew Gale considera Stalin “tão idealista como tirano”. 
É que a escolha de uma mulher e não do líder, explica Natalia Sidlina, pretendia apenas garantir apoio no combate ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. 
“Não havia o rosto de Stalin porque era muito difícil inspirar as pessoas a irem à guerra e a morrer pelo líder do Partido Comunista. 
Uma imagem de uma mãe ou de uma filha funcionaria muito melhor”.
Vladimir Lenin representado num cartaz de Valentin Shcherbakov em 1928 (Créditos: The David King Collection at Tate)

Na propaganda soviética esteve sempre presente (mesmo após a sua morte) Vladimir Lenin. 
E segundo o diretor de exposições do Tate Modern a inspiração era religiosa. 
“Se observarmos o cabeça gigante de Constantino nos Museus Capitolinos percebemos que se trata de propaganda. 
Tal como os tectos pintados a óleo nas igrejas católicas. 
O importante era [tal como na URSS] maravilhar as pessoas com imagens muito diretas e que trazem a certeza de que estamos no caminho certo”, explica Matthew Gale à BBC. 
E acrescenta, a propósito de Lenin: “Quando observamos a maneira como Lenin é representado, existem no máximo seis diferentes poses deste. 
Com uma população maioritariamente analfabeta, e portanto dependente de imagens, essa imagem torna-se numa iconografia que se repete A iconografia cristã funciona exatamente da mesma forma: aquela imagem torna-se reconhecível por qualquer um

sábado, 9 de dezembro de 2017

Brexit. Resolução do Parlamento Europeu vai recomendar avanço nas negociações com Londres

BREXIT  Agência Lusa  8/12/2017, 17:21

Há questões em que são necessários mais esclarecimentos, considera Guy Verhofstadt

A resolução sobre o Brexit a votar na próxima semana acompanha a da Comissão Europeia na recomendação da passagem à segunda fase negocial com Londres.

O coordenador do Parlamento Europeu (PE) para o Brexit, Guy Verhofstadt, anunciou nesta sexta-feira que a resolução sobre o Brexit a votar na próxima semana acompanha a da Comissão Europeia na recomendação da passagem à segunda fase negocial com Londres.

“Vamos recomendar a passagem para a segunda fase das negociações na resolução da próxima semana”, disse Verhofstadt, em conferência de imprensa, hoje em Bruxelas, mas sublinhou que há questões em que são necessários mais esclarecimentos, como a vinculação das decisões do Tribunal de Justiça da UE. 
Em fevereiro, o PE apresentará uma nova resolução, mais detalhada, sobre as negociações do Brexit.

A Comissão Europeia anunciou hoje que chegou a um “acordo equilibrado” com o Reino Unido sobre os termos do ‘divórcio’ entre as partes e decidiu recomendar aos Estados-membros que se passe à segunda fase das negociações, sobre as futuras relações. Segundo Bruxelas, foram efetuados “progressos suficientes” nos três domínios prioritários: direitos dos cidadãos, diálogo sobre a Irlanda/Irlanda do Norte e acordo financeiro com o Reino Unido. 
O acordo terá que ser aprovado pelo PE e pelo Conselho Europeu.





















Fatura do Brexit é de 40 a 45 mil milhões de euros, diz o porta-voz do governo britânico

BREXIT  8/12/2017, 17:46

"Não podemos calcular exatamente os montantes em questão", disse o principal negociador da União Europeia, Michel Barnier






















A fatura que Londres terá de pagar a Bruxelas devido ao Brexit situa-se entre os 40 e os 45 mil milhões de euros, indicou um porta-voz do governo.

A fatura que Londres terá de pagar a Bruxelas devido ao Brexit situa-se entre os 40 e os 45 mil milhões de euros, indicou nesta sexta-feira um porta-voz do governo, questionado pela agência France Press. 
Durante a manhã, foi anunciada a conclusão de um acordo de princípio para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), sem que tenham sido indicados números.

O montante agora avançado pelo porta-voz governamental é inferior ao reclamado em outubro pelo presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, que indicou valores entre os 50 e os 60 mil milhões de euros. 
Os 40 a 45 mil milhões de euros agora referidos são, no entanto, mais do dobro da proposta original apresentada pelo governo do Reino Unido, que era de cerca de 20 mil milhões de euros.

“Não podemos calcular exatamente os montantes em questão, todos esses números vão mexer”, disse hoje o principal negociador da União Europeia, Michel Barnier, para justificar por que nenhum valor foi divulgado. 
O acordo prevê que o Reino Unido continue a participar no orçamento anual da UE em 2019 e 2020, “como se tivesse permanecido na União”.

Após este período, Londres permanecerá endividada por compromissos financeiros assumidos no contexto de orçamentos passados, mas ainda não pagos. 
Os orçamentos anuais europeus distinguem entre as dotações de pagamento e as dotações de autorização, que podem ser repartidas ao longo de vários anos.

O Regulamento Financeiro do Brexit será calculado em 31 de dezembro de 2020 e pago gradualmente à medida que esses compromissos se tornem devidos, como se o Reino Unido tivesse permanecido como um Estado membro. 
O acordo estipula que todos esses montantes serão liquidados em euros.

domingo, 29 de outubro de 2017

As seis teorias da conspiração sobre o assassinato de JFK

EUA
Michael E. Miller
26 de Outubro de 2017, 23:20
Lee Harvey Oswald

O monte relvado, o Homem do Guarda-Chuva, Lyndon B. Johnson e o pai de Ted Cruz.

Alienígenas. Maçons. Mafiosos. Duplos. O Homem do Guarda-Chuva. Um trabalho interno.

Muito antes de existirem fake news, houve o assassinato do Presidente John F. Kennedy e a imensidão de teorias da conspiração que se lhe seguiram. 
Um autor estimou que os teóricos da conspiração acusaram “42 organizações, 82 assassinos e 214 outras pessoas de estarem envolvidas no assassinato”. 
Segundo um inquérito de 2013, 62% dos americanos acreditam que aconteceu algo mais do que apenas a acção de Lee Harvey Oswald, sozinho num sexto andar sobre a Dealey Plaza em Dallas.

Com o anúncio de Donald Trump de que pretende abrir ao público o lote final dos arquivos secretos sobre o assassinato, os historiadores e os teóricos da conspiração prepararam-se ansiosamente para analisar os registos.

Será que os documentos adicionarão combustível às teorias da conspiração que ardem há mais de meio século, ou irão pelo contrário privá-las de oxigénio de uma vez por todas?

Salvo alguma decisão em contrário de última hora por parte da Casa Branca, vamos descobrir rapidamente. 
Enquanto isso não acontece, eis algumas das mais prevalentes teorias da conspiração sobre o assassinato de JFK:

Múltiplos atiradores

Aquela que é talvez a teoria da conspiração mais duradoura de todas tem as suas origens não num qualquer lunático, mas na Câmara dos Representantes.

Uma semana após o assassinato, ocorrido a 22 de Novembro de 1963, o recentemente empossado Presidente Lyndon B. Johnson criou por ordem executiva a Comissão Presidencial Sobre o Assassinato do Presidente Kennedy – que ficou para a História como a Comissão Warren, nome derivado do seu presidente, o juiz do Supremo Tribunal Earl Warren.

Dez meses depois, a Comissão apresentou as suas descobertas: Oswald agiu sozinho, e o mesmo aconteceu com Jack Ruby, o empresário nocturno de Dallas que alvejou e matou Oswald dois dias após o assassinato de JFK.

Em 1976 – depois do caso Watergate ter abalado a fé dos americanos no governo e a exibição do filme de Zapruder ter permitido ao público ver o assassinato com os seus próprios olhos – a Câmara votou esmagadoramente a favor da criação de um comité que voltasse a investigar a morte de Kennedy, bem como a de Martin Luther King, assassinado em 1968.

Tal como a Comissão Warren, a investigação da Câmara dos Representantes não encontrou provas que implicassem a União Soviética, Cuba ou a CIA no assassinato de Kennedy. 
Contudo, o comité concluiu que “provavelmente” teria ocorrido uma conspiração, envolvendo um segundo atirador que estaria no infame “monte relvado”.

Essa hipótese foi desde então desacreditada, inclusivamente por reconstituições high-tech. Mas o mal estava feito.

A “grande contradição”, como lhe chamou um investigador de JFK, abriu a porta ao desenvolvimento de outras teorias da conspiração.

O Homem do Guarda-chuva

A mais famosa teoria que envolve múltiplos atiradores centra-se no “Homem do Guarda-Chuva”: uma figura vista a segurar misteriosamente um guarda-chuva preto no soalheiro dia do assassinato de Kennedy. 
Houve quem tenha especulado que o Homem do Guarda-Chuva disparou um dardo venenoso em direcção ao pescoço do presidente, imobilizando-o para permitir que Oswald, ou outros, disparassem o tiro mortal.

O filme JFK, de 1991, realizado por Oliver Stone e que alimenta as teorias da conspiração, mostra o Homem do Guarda-Chuva a fazer sinais aos seus cúmplices.

A realidade, no entanto, revelou-se bastante mais banal. 
Em 1978, 15 anos após o assassinato, Louie Steven Witt declarou perante o comité da Câmara dos Representantes que levara o guarda-chuva para provocar o presidente, não para o matar.

“Em algum momento a prova 405 conteve uma pistola ou arma de qualquer tipo?”, perguntou-lhe Robert Genzman, membro do comité, enquanto a audiência comparava o guarda-chuva de Witt com os diagramas de mecanismos secretos que disparavam dardos, ou balas, que os teóricos da conspiração haviam apresentado.

“Este guarda-chuva?”, perguntou um atónito Witt.

“Sim.”

“Não.”

Witt afirmou nem sequer ter tido conhecimento das teorias da conspiração relacionadas com o seu guarda-chuva até vários anos depois do assassinato, e que o guarda-chuva não passava de uma “piada sem graça” dirigida ao pai de Kennedy que tinha corrido monumentalmente mal (o guarda-chuva preto era a imagem de marca de Neville Chamberlain , primeiro-ministro britânico que tivera uma postura branda relativamente ao regime nazi, e que fora apoiado por Joseph Kennedy)

Umbrella Man, documentário de 2011 de Errol Morris, explora a maneira como, sob atenção microscópica, as coisas mais inócuas podem parecer sinistras.

“Se o Livro de Recordes do Guiness tivesse uma categoria para pessoas que fazem a coisa errada no momento errado no sítio errado, eu estaria em primeiro lugar”, disse Witt ao comité, “e a longa distância do segundo classificado.”

Um trabalho interno

Outra crença persistente é que as autoridades americanas estiveram de alguma forma envolvidas. 
Uma das teorias afirma que o tiro fatal foi disparado pelo motorista do carro de Kennedy, ao tentar disparar contra Oswald.
“Se olharmos para uma cópia de má qualidade do filme de Zapruder, parece que William Greer, o condutor, se vira e por cima do ombro dá um tiro na cabeça de Kennedy”, disse ao The Daily Beast John McAdams, autor de JFK Assassination Logic: How to Think about Claims of Conspiracy.
“Mas a verdade é que as suas mãos estão o tempo todo no volante; só nas cópias muito más do filme de Zapruder é que parece que não é assim.
”Uma teoria da conspiração mais generalizada é que a CIA – e até Lyndon B. Johnson – estiveram abominavelmente envolvidos.
Embora especialistas a tenham descartado como “ridícula” e “forçada”, essa teoria assumiu um papel central no filme de Oliver Stone. 
E foi também defendida por outro Stone: Roger Stone, o consultor político e confidente de Trump que persuadiu o presidente a abrir o acesso aos documentos sobre o caso.
“Percebo que mergulhar no mundo da pesquisa sobre o assassinato e da hipótese de uma conspiração possa levar a que olhem para mim como um extremista ou um lunático, mas os factos que eu descobri são tão convincentes que não me resta alternativa senão afirmar que Lyndon Baines Johnson foi o responsável pela morte de John Fitzgerald Kennedy, de modo se tornar presidente e a evitar o precipício político e legal em que estava prestes a cair”, escreveu Stone em The Man Who Killed Kennedy: The Case Against LBJ, publicado em 2013 e da co-autoria de Mike Colapietro.
(O livro, que acusa Johnson de cumplicidade em pelo menos seis outros assassinatos, cita também Richard Nixon, antigo chefe de Stone, que terá afirmado: “Eu e Lyndon queríamos chegar a Presidente, a diferença é que eu não seria capaz de matar por isso.”) Sean Cunningham, professor de História da Universidade Texas Tech, diz que não há provas que sustentem essa teoria.
“Johnson dá uma boa história e serve de explicação fácil”, afirmou ao The Daily Beast.

Cubanos e soviéticos

De todas as teorias de conspiração em torno do assassinato de Kennedy, esta é a mais provável de ser impulsionada ou desmentida pelos documentos que serão brevemente divulgados.
Como relatado por Ian Shapira, do The Washington Post, os especialistas acreditam que muitos dos 3 100 documentos anteriormente inéditos se relacionam com a viagem de seis dias que Oswald fez à Cidade do México, dois meses antes do assassinato. 
Alguns crêem que Oswald recebeu ordens de agentes soviéticos ou cubanos enquanto lá esteve.
Oswald tinha emigrado para a União Soviética em 1959, onde ficou dois anos e meio antes de retornar aos Estados Unidos, quando a sua dissidência já não era notícia. 
Em Setembro de 1963 viajou para a capital mexicana, tendo visitado as embaixadas cubana e soviética, aparentemente numa tentativa de se mudar para um dos países comunistas.
“Um oficial soviético que Oswald alegadamente contactou, Valeriy Kostikov, não era um simples oficial do KGB, pertencia também ao Departamento 13 do KGB, que o relatório da CIA descreve como ‘o departamento encarregado da sabotagem e dos assassinatos’, escreveu o Post em 1993, altura em que foi revelado um outro lote de documentos secretos.
Os historiadores estão assim muito interessados em saber o que o último lote de ficheiros irá revelar sobre os movimentos e encontros de Oswald na Cidade do México.
“Sempre considerei a viagem ao México o capítulo oculto da história do assassinato. 
Muitas versões saltam esse período”, disse a Shapira Philip Shenon, ex-repórter do New York Times e autor de um livro sobre a Comissão Warren. 
“Oswald andava a encontrar-se com espiões soviéticos e cubanos, e a CIA e o FBI tinham-no sob vigilância apertada. 
Não dispunham o FBI e a CIA de provas cabais de que ele era uma ameaça antes do assassinato? 
Se tivessem agido com base nessas provas, talvez não tivesse acontecido o que aconteceu. 
Essas agências podem estar com medo de que, se os documentos forem revelados, a sua incompetência e os seus erros sejam expostos. 
Eles sabiam o perigo que Oswald era, mas não alertaram Washington.
”Segundo algumas teorias, as agências secretas americanas sabiam do plano de Oswald, e deixaram que este se concretizasse porque queriam Kennedy fora de cena.
A CIA e o FBI investigaram o suposto envolvimento cubano e soviético, mas não encontraram nada. 
E tanto a Comissão Warren como o comité da Câmara dos Representantes descartaram esse possível envolvimento. 
Os próprios especialistas torcem o nariz a esta hipótese, apontando para o facto de que ambos os países consideravam ser mais fácil trabalhar com Kennedy do que com o seu vice-presidente.
Uma outra teoria da conspiração defende que, quando Oswald se mudou para a União Soviética, o KGB treinou um duplo que assumiu a sua identidade e matou Kennedy. 
O homem por trás dessa hipótese chegou a conseguir convencer a viúva de Oswald a dar-lhe autorização para exumar os restos mortais, o que veio a acontecer a 4 de Outubro de 1981. 
A equipa que analisou o corpo concluiu, “para além de qualquer dúvida”, que era efectivamente Lee Harvey Oswald quem estava enterrado no cemitério Rose Hill, em Fort Worth.
A máfia nos dias que se seguiram ao assassinato do seu irmão, Robert Kennedy teve a sensação horrível de que o acontecido era culpa sua.
De acordo com o biógrafo Evan Thomas, “Robert Kennedy estava convencido de que, de alguma forma, era responsável pela morte do irmão. 
Que as suas tentativas de levar a máfia a tribunal e de matar Fidel Castro eram a causa, que tudo lhe tinha explodido nas mãos, como costuma dizer o pessoal das secretas.
”Não há, no entanto, quaisquer provas do envolvimento do crime organizado no assassinato do Presidente e, mais uma vez, os especialistas rejeitam essa possibilidade.
Ralph Salerno, ex-detective da polícia de Nova Iorque que investigou o envolvimento da máfia no âmbito da averiguação do comité da Câmara dos Representantes, disse ter analisado “milhares de páginas de vigilância electrónica sobre líderes do crime organizado, por todo o território dos Estados Unidos" relativas à altura do assassinato, sem ter ouvido nada que considerasse suspeito.
O pai de Ted Cruz se há alguém que gosta de uma boa teoria da conspiração, esse alguém é Donald Trump. 
E o então candidato não se coibiu de, no ano passado, dar à Fox News a sua visão sobre o que se passou.
Trump, que estava nesse momento a discutir com o senador do Texas Ted Cruz a nomeação presidencial do Partido Republicano, alegou que o pai do seu oponente, Rafael Cruz, tinha sido visto com Oswald pouco antes do assassinato.
“O pai dele esteve com Lee Harvey Oswald pouco antes de ele ter sido morto”, disse Trump numa entrevista por telefone. 
“Toda a situação é ridícula! 
O que é isto? 
Não tenho razão? 
Antes de ele ter sido morto. 
E ninguém fala nisso. 
Toda a gente sabe, e ninguém fala disso!
”Aparentemente, Trump estaria a referir-se a um artigo de Abril de 2016 da National Enquirer, que tinha como título Pai de Ted Cruz Ligado ao Assassinato de JFK! 
O artigo estava acompanhado por uma fotografia que, segundo o tablóide, mostrava Oswald e Rafael Cruz a distribuírem panfletos pró-Castro em Nova Orleães em 1963.
Mesmo depois de garantir a nomeação, Trump manteve a amplamente desacreditada história.
“Tudo o que fiz foi ressalvar o facto de que, na capa da National Enquirer, há uma fotografia dele [Rafael Cruz] e do maluco do Lee Harvey Oswald a tomarem o pequeno-almoço”, afirmou Trump. 
“Não tive nada a ver com isso. 
Estamos a falar de uma revista que, francamente, devia ser muito mais respeitada. Apanharam o O.J. Apanharam o [John] Edwards. 
Apanharam isto. 
Quer dizer, se fosse o New York Times, teria ganho o prémio Pulitzer.

”Tradução de António Domingos
Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

Zapruder filmou a morte de JFK e isso só lhe trouxe tristezas

EUA
Steve Hendrix
26 de Outubro de 2017, 23:21

Esteve quase a não levar a câmara.

A 22 de Novembro de 1963, o dia em que o nome de Abraham Zapruder iria para sempre ficar ligado a uma tragédia americana, o costureiro de Dallas que adorava fazer filmes caseiros tinha decidido deixar a sua Bell and Howell Zoomatic em casa. 
Foi a sua assistente que o convenceu de que valia a pena registar em filme o desfile do Presidente John F. Kennedy pela Dealey Plaza.

Quatrocentos e oitenta e seis frames depois, Zapruder tinha não só registado a História, tinha-a feito. 
O filme de 26 segundos que documenta o assassinato de Kennedy inaugurou a pré-história da era dos vídeos virais – cidadãos comuns a registarem acontecimentos extraordinários em vídeo. 
As suas imagens de 8 mm começaram por ajudar os investigadores da Comissão Warren a concluir que Lee Harvey Oswald tinha agido sozinho. 
Depois, dissecado e escrutinado até hoje, o filme de Zapruder tornou-se a base das suspeitas contra a explicação oficial, dando origem a uma espiral de teorias da conspiração que passaram a definir não só o acontecimento em si, mas também a própria era moderna.

“Sem o filme, creio que nunca se teria gerado tanta controvérsia sobre a Comissão Warren nem teríamos assistido a nada do que vimos nos últimos 50 anos”, afirma Josiah “Tink” Thompson, autor de “Six Seconds in Dallas” [livro que analisa o assassinato com base nas imagens de Zapruder, e que defende a existência de três atiradores].

Quando o relutante Zapruder subiu finalmente para um pilar de cimento a vinte metros de distância de Elm Street, estava inadvertidamente a colocar-se em posição privilegiada para ver o destino a acontecer.

“Um realizador de Hollywood não escolheria um sítio melhor”, diz Thompson. 
“E quando a limusina está no ponto mais próximo da câmara, a cabeça de Kennedy explode.”

Na semana passada, o Presidente Donald Trump reiterou a promessa de autorizar a revelação dos últimos documentos secretos sobre o assassinato de JFK que ainda se encontram sob a alçada do Arquivo Nacional.

À medida que historiadores, jornalistas e público aguardam para começar a lê-los na quinta-feira, as memórias rapidamente retornam a essa silenciosa e trémula sequência, tão arrepiante quanto familiar: o descapotável que se aproxima, uma multidão prestes a perder a inocência, o Presidente agarrado à garganta, a mancha carmesim do frame 313 (que não foi mostrado ao público durante 12 anos), o gatinhar instintivo de Jacqueline Kennedy pela mala, a precipitação da caravana em direcção ao hospital, e uma América mudada para sempre.

“O trabalho dele foi realmente notável”, diz Thompson sobre o cineasta amador.

Um feito que Zapruder preferiria nunca ter alcançado. 
O dono da empresa têxtil Jennifer Juniors, de 58 anos, que tinha emigrado para os Estados Unidos na adolescência, adorava os Kennedy. 
Desceu do pilar, pousou a câmara e começou a gritar: “Mataram-no! Mataram-no!”

“Acho que ele lamentava muito ter sido a pessoa que filmou aquilo”, diz Alexandra Zapruder, neta de Abraham, que escreveu no ano passado “Twenty-Six Seconds”, a história pessoal do efeito que o filme teve na sua família. 
“Não lhe trouxe nada senão desgostos.”

Segundo uma exaustiva linha temporal do JFK Lancer, site dedicado ao assassinato, no caos que se seguiu ao tiroteio Zapruder foi rapidamente levado por um agente dos serviços secretos a um laboratório da Kodak, onde o filme foi revelado na hora. 
Zapruder entregou duas cópias às autoridades e ficou com o original e uma outra cópia. Três dias depois, tinha vendido o original e todos os direitos sobre o filme à revista “Life” por 150 mil dólares, tendo depois dado 25 mil dólares à viúva do polícia morto por Oswald na fuga.

A decisão de Zapruder desencadeou uma profusão de batalhas legais, cópias piratas, decisões judiciais, actas do Congresso, dúvidas de autenticidade e acusações de aproveitamento e infracções de direitos de autor que se prolongaram durante décadas. Investigadores, jornalistas e legiões de teóricos da conspiração fizeram dele o pedaço de filme provavelmente mais dissecado da História, fazendo surgir das suas sombras coloridas personagens como o Homem do Guarda-Chuva, o Homem do Cão Preto e outras figuras da intriga.

Para muitos estudiosos de assassinato, o maior impacto de Zapruder foi lançar a dúvida sobre a conclusão central da investigação do governo: a teoria do atirador solitário. 
O aterrador clímax da sequência mostra uma pluma de sangue a irromper pela frente da cabeça de Kennedy. 
Oswald disparou por trás.

Isso gerou discussões sobre espasmos neurológicos e sobre o “efeito jacto” que nunca desapareceram. 
Para muitos, e porque a contradição nunca foi mencionada no relatório da Comissão Warren, a versão oficial está irremediavelmente em xeque.

“O clímax do filme não é o cenário que eles apresentaram”, acusa Thompson. 
“Se não fosse o filme, as contradições lógicas da Comissão Warren não teriam sido expostas.”

Thompson, ex-professor de filosofia formado em Yale que trabalhou na principal investigação da “Life” sobre o assassinato, crê que ainda hoje o filme nos vai revelando fragmentos da verdade. 
As versões digitalmente melhoradas abundam pela Internet e, quando combinado com dados acústicos, o filme de Zapruder ainda nos pode dar uma resposta definitiva, diz.
“O que estamos a perceber agora, 50 anos depois, é como o filme de Zapruder é tão bom a mostrar-nos o que aconteceu.
”Zapruder morreu em 1970, vítima de cancro. 
As discussões sobre quem matou JFK e sobre quem controlava o filme do assassinato sobreviveram-lhe em muito. 
Geraldo Rivera mostrou-o na televisão em 1975, incluindo o frame 313. 
Oliver Stone levou-o ao grande ecrã em “JFK”, de 1991.
A revista “Life” vendeu os direitos do filme de volta à família Zapruder em 1975, pela quantia simbólica de um dólar, e em 1999 o governo federal ficou com o original como uma “prova de assassinato” oficial, pagando em compensação 16 milhões de dólares à família. Em 2000, os Zapruder doaram os direitos de autor e o arquivo familiar ao Sixth Floor Museum, situado no antigo Texas School Book Depository, o edifício de onde Oswald disparou.
Em suma, o breve e eterno encontro de Zapruder com a História produziu um artefacto mergulhado tanto em provas como em dúvidas, preservando de forma perfeita o caos a 18 frames por segundo.
“Corporiza todas as contradições irresolúveis”, diz Alexandra Zapruder. 
“Não só as forenses e as balísticas, mas também as culturais, a nossa incapacidade para compreendermos o incompreensível.
Ӄ um filme onde nunca vamos ver um fundo negro.

Tradução de António Domingos
Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

Um dia com os ficheiros JFK: avisos do FBI, estranheza em Moscovo e memes na Internet

EUA
Alexandre Martins
27 de Outubro de 2017, 19:04
John F. Kennedy foi assassinado a 22 de Novembro de 1963

É uma partida que já anda a circular na Internet há pelo menos dez anos: a pessoa recebe um e-mail com o endereço para um artigo muito importante, daqueles que vai mudar a sua vida para sempre, mas quando carrega na ligação é surpreendida com um vídeo do cantor britânico Rick Astley a cantar o seu mega sucesso dos 80's Never gonna give you up. Em inglês chama-se rickrolling e não vale a pena perguntar porquê – é a Internet.

Vem isto ao caso para se dar conta da consequência mais importante da da abertura de mais de 2800 documentos relacionados com a investigação ao assassínio do antigo Presidente norte-americano John F. Kennedy, a 22 de Novembro de 1963: à falta de informação nova, ou suficientemente sumarenta para criar mais problemas à versão oficial do que aqueles que ela já tem, muitos americanos foram para uma das ruas mais movimentadas da Internet, o Twitter, para fazerem piadas sobre a revelação desses documentos, autorizada na quinta-feira pelo Presidente Donald Trump.

Numa delas, a cantora e activista anti-Trump Holly Figueroa O'Reilly fez uma versão em papel do tal rickrolling: num documento com a insígnia do FBI, quase todas as palavras surgem censuradas com barras negras, menos as que formam os versos Never gonna give you up, never gonna let you down…


os ficheiros abertos ao público na noite de quinta-feira são quase os últimos que ainda estavam no segredo dos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos; quase, porque o Presidente Trump acabou por ceder aos apelos da CIA e do FBI para manter no cofre uns 280, pelo menos até 2018 – apesar de não haver uma explicação oficial e pública para esses apelos, é comum que as agências de espionagem e a polícia federal queiram preservar a identidade de certas pessoas e a exposição de determinados métodos de recolha de informação por mais algum tempo, até ficarem convencidas de que isso não poderá pôr em causa a segurança dessas fontes ou até a segurança nacional.

De acordo com as pessoas que andam desde 1922 a ler e a catalogar os cerca de cinco milhões de documentos sobre o assassínio de John F. Kennedy, os últimos registos (os que foram libertados na quinta-feira à noite) equivalem a 1% do total – os restantes já são do domínio público, a esmagadora maioria completamente legíveis e cerca de 11% censurados. Mesmo assim, vários historiadores e fanáticos das teorias da conspiração ficaram entusiasmados com a possibilidade de saberem mais sobre o que levou ao assassínio de um dos Presidentes mais populares da História dos Estados Unidos.

Até agora – e ainda vão passar semanas até que se saiba tudo sobre o que está naqueles 2800 documentos –, ninguém encontrou nada de sensacional. Ou seja, nada que reforce a tese de que o principal suspeito, Lee Harvey Oswald, teve a companhia de um segundo atirador e que foi instruído por Cuba ou pelo crime organizado. Segundo a versão oficial, estabelecida nas conclusões da Comissão Warren em 1964, Lee Harvey Oswald planeou sozinho o assassínio e agiu também sozinho; e quando ele próprio foi assassinado (dois dias após a morte de Kennedy), o homem que o matou a tiro, Jack Ruby, também fez tudo sozinho.

O que já se sabe sobre os novos ficheiros:
Aviso do FBI

O FBI avisou a polícia de Dallas de que havia uma ameaça para matar Lee Harvey Osvald, o principal suspeito de ter assassinado o Presidente John F. Kennedy. A informação está num memorando do então director da polícia federal, J. Edgar Hoover.

"Ontem à noite recebemos uma chamada nos nossos escritórios em Dallas de um homem que falava num tom de voz calmo e que dizia ser membro de um comité organizado para matar Oswald", escreveu Hoover a 24 de Novembro. "[O chefe da polícia de Dallas] assegurou que lhe tinha sido dada protecção adequada, no entanto isso não foi feito."


União Soviética preocupada

Os líderes da União Soviética consideravam Lee Harvey Oswald um "maníaco neurótico" que era "desleal" ao seu país, segundo um memorando do FBI  sobre a reacção soviética ao assassínio. Num outro documento, o então líder da URSS, Nikita Khrushchev, mostra-se convencido de que John F. Kennedy foi vítima de uma conspiração porque duvidava da eficácia do FBI e da polícia de Dallas – a nota da CIA sobre as declarações de Khrushchev indicam que o então líder soviético suspeitava de colaboração por parte de alguém na polícia de Dallas e dava a entender que acreditava no envolvimento da extrema-direita americana.


Cubanos contentes

O então embaixador cubano em Washington reagiu "com alegria" ao assassínio, segundo um outro memorando da CIA.

Oswald falou com "unidade de assassinos"

Segundo uma chamada telefónica interceptada na Cidade do México, Oswald esteve na embaixada soviética no dia 28 de Setembro de 1963 e falou com o vice-cônsul, Valeri Vladimirovich Kostikov. Voltou a ligar para a embaixada a 1 de Outubro, perguntando a quem o atendeu se "não havia nada de novo relativo ao telegrama de Washington". A CIA identifica Kostikov como agente do KGB e membro do Departamento 13, uma unidade responsável por sabotagem e assassínios. Esta relação de acontecimentos já era conhecida – a documentação agora divulgada só a confirma. 

À procura de Oswald

O departamento do FBI em Dallas tentou encontrar Lee Harvey Oswald em Outubro de 1963 (um mês antes do assassínio), segundo um memorando do departamento de Nova Orleães, porque Oswald era "uma pessoa de interesse segundo fontes cubanas", escreveu um agente.

Jack Ruby só queria publicidade?

O homem que assassinou Oswald tinha negócios de "raparigas e álcool" com os quais "a polícia não interferia". O informador do FBI disse estar surprendido que Ruby tenha assassinado Oswald "em vez de apenas se ter limitado a feri-lo numa perna para ter publicidade" – de acordo com os amigos, Ruby nunca teria disparado contra Oswald por patriotismo, como ele alegou, mas sim por dinheiro ou publicidade.

Tentativas para matar Castro

Mais um dado que não é inédito: a documentação detalha várias tentativas da CIA para assassinar líderes estrangeiros, sobretudo o cubano Fidel Castro. Num memorando de 1975, menciona-se que a CIA discutiu, em 1960, a possibilidade de assassinar o primeiro-ministro congolês Patrice Lumumba (fuzilado na actual Lubumbashi em 1961) e o Presidente indonésio Sukarno (morreu em 1970 num hospital em Jacarta). Há recibos que mostram os custos das operações, por exemplo em Cuba, no Congo e no Vietname.

FBI preocupado com teorias da conspiração

Num memorando de 24 de Novembro, o então director do FBI, J. Edgar Hoover, já se mostrava preocupado com o teorias da conspiração: "O que me preocupa mais é que devíamos ter alguma coisa para divulgar que possa convencer o público de que Oswald é mesmo o verdadeiro assassino."

Jornal britânico recebeu aviso

Num outro documento, o FBI tomou nota de que um jornalista sénior (não identificado) de um jornal britânico foi avisado por telefone de que iria acontecer "uma grande notícia" e que o jornalista deveria telefonar para a embaixada norte-americana em Londres. O telefonema feito para a redacção do Cambridge Evening News (actualmente Cambrige News) teve lugar apenas 25 minutos antes do assassínio de John F. Kennedy.

alexandre Martins@publico.pt

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Xi Jinping quer China “no palco principal do mundo”

PARTIDO COMUNISTA CHINÊS
ANA GOMES FERREIRA
18 de Outubro de 2017, 11:23
























Xi Jinping a discursar no Congresso

A China entrou “numa nova era”, a era em que “deve estar no palco principal do mundo”, disse o Presidente chinês, Xi Jinping, na abertura do 19.º Congresso do Partido Comunista Chinês, que decorre a partir desta quarta-feira em Pequim. 

A China, disse, pode “ser uma grande potência no mundo” e desempenhar “um importante papel na História da humanidade”.

O Presidente chinês, que acaba de cumprir o seu primeiro mandato de cinco anos, e tem mais cinco assegurados, disse que o modelo de crescimento chinês — o “socialismo com características chinesas” — “floresceu” e tornou-se um “novo modelo” que outros países em desenvolvimento podem seguir. 
“Outros países têm [agora também] esta escolha”, disse Xi.

É o Congresso, que se reúne de cinco em cinco anos e que se realiza à porta fechada, que determina quem manda na China. 
O comité central deverá escolher novamente Xi para secretário-geral (o cargo mais importante do país, que o torna Presidente da China). 

Pouco depois de o Congresso acabar — não há uma data determinada para o encerramento —, o partido divulgará quem são os novos membros do comité permanente do politburo, o órgão mais poderoso da hierarquia. 

Desde que Xi chegou ao poder, em 2012, as reformas económicas visando a modernização aceleraram-se. 
Xi tornou-se também mais controlador da cadeia de decisão. 
Xi apresenta-se desde o primeiro momento como um presidente transformador, como o foram Mao Tsetung (que instituiu a China comunista) e Deng Xiaiping (que iniciou a reforma e a abertura).

No discurso com que abriu o Congresso do PCC, que os analistas classificaram de “muito confiante”, percorreu os seus primeiros cinco anos no cargo e concluiu que a China está numa situação estável (conseguiu controlar o partido, em grande parte devido à campanha anticorrupção), conseguiu grandes feitos na economia e encontrou um lugar no mundo — até agora, nunca o Presidente ousara ligar o nome da China ao conceito de grande potência mundial. 
Foi a primeira vez que o fez — ainda que se tenha ficado pelo “pode” ser uma grande potência.

Xi confirmou que o seu modelo de gestão político-económico, o socialismo com características chinesas, é para manter e disse que o Partido Comunista se oporá a qualquer ideia ou movimento que comprometa a liderança do PCC. 

Anunciou ainda um plano de duas fases para alcançar a “modernização socialista” — um novo conceito — da China em 2050. 
Não o descreveu em pormenor, disse que se centra em reformas económicas e em medidas ambientais que tornarão a China “próspera e bonita”.

ana.gomes.ferreira@publico.pt