sábado, 30 de abril de 2016

Bombardeamentos em Aleppo fizeram pelo menos 20 mortos

MUNDO
CLARA BARATA 27/04/2016 - 22:15 (actualizado às 09:47 de 28/04/2016)


Na última semana morreram cerca de 90 pessoas, entre as quais o "único pediatra" na que era a maior cidade da Síria. Mas EUA, Rússia e ONU recusam-se a deixar cair o cessar-fogo, apesar de as negociações de paz não avançarem.
Transporte de ferido num do bombardeamento em Alepo

Para os habitantes de Alepo, o cessar-fogo decretado há dois meses na Síria está morto e enterrado, com a intensificação dos bombardeamentos. 
Mas as grandes potências garantem que a trégua se mantém.

Na noite desta quarta-feira, um bombardeamento na zona de Sukkari fez pelo menos 14 mortos, anuncia no Twitter o especialista em terrorismo Charles Lister, do Instituto do Médio Oriente (Washington, EUA). 
Numa actualização esta quinta-feira, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização com sede em Londres e informadores no terreno, põe o balanço final deste ataque em 20 mortos.

Entre as vítimas estão duas crianças e uma mulher, bem como "o único pediatra" na cidade controlada pelas forças rebeldes.

Entre 22 e 24 de Abril, diz esta organização, terão morrido 60 pessoas em Alepo por causa dos bombardeamentos e também dos efeitos da resposta da oposição, que usa armas altamente imprecisas, como os chamados “canhões do inferno”, que disparam morteiros, em resposta contra as mortíferas "bombas barril" usadas pelo regime do Presidente Bashar Al-Assad. 
O ramo de Alepo da Defesa Civil Síria – um grupo de protecção civil formado por voluntários, conhecido também como os capacetes brancos – diz que pelo menos 89 civis morreram e há 135 feridos desde 22 de Abril, diz a Human Rights Watch.

“Não sei de que trégua é que falam. 
Aqui não há trégua nenhuma”, afirmou por seu lado Abu Mohamed, morador na parte da cidade de Alepo que é controlada pela oposição a Bashar al-Assad. 
“Os bombardeamentos e os tiros de rocket não param. 
É como se estivéssemos em plena Guerra Mundial”, diz este comerciante e pai de quatro filhos, citado pela AFP.

As grandes potências dizem-se envolvidas nas negociações de paz sob a égide das Nações Unidas, em Genebra, esperam que o cessar-fogo que entrou em vigor a 27 de Fevereiro facilite o diálogo entre o regime e a oposição armada, com o objectivo de alcançar uma solução pacífica para a guerra que destrói o país desde 2011 e já matou pelo menos 470 mil pessoas. 
O maior obstáculo a um entendimento é o futuro do Presidente Assad.

Mas a terceira ronda de negociações termina nesta quarta-feira sem progressos, depois de os principais representantes da oposição se terem afastado, em protesto contra a degradação da situação humanitária e as violações da trégua.

A Rússia propôs ainda que o Conselho de Segurança da ONU ponha na lista negra das organizações terroristas dois grupos rebeldes sírios, o Jaish al-Islam e o Ahrar al-Sham, acusando-os de terem ligações à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. 
Se nenhum membro do Conselho de Segurança se opuser a esta medida até às 19h TMG de 11 de Maio, estas formações serão adicionadas à lista de sanções do Conselho de Segurança, disse uma fonte diplomática à Reuters, pouco satisfeita com este procedimento de Moscovo. 
Este passo “não ajuda nada. 
Está apenas a tentar dividir a oposição”.

O Jaish al-Islam (Exército do Islão) foi criado na capital da Arábia Saudita em Dezembro, agrupando vários grupos rebeldes mais pequenos, para garantir um lugar à mesa das negociações.

Quanto ao Ahrar al-Sham, tem um pendor salafista ultra-ortodoxo e tem combatido aliando-se à frente Al-Nusra, a representante da Al-Qaeda na Síria, e retirou-se do encontro em Riade, dizendo que “os grupos revolucionários” estavam a ser colocados à margem, mas foi à última ronda, em Genebra. 
Já não é de agora que o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo diz que estas duas formações não deveriam participar nas conversações para a paz.

Mas enquanto a Rússia e os Estados Unidos se recusam a deixar morrer as negociações, em Alepo já não existe sequer uma paz podre. 
“Trégua! 
Tornou-se uma provocação que os habitantes de Alepo não suportam”, afirmou à AFP Saad Aliya, um motorista de táxi de 27 anos. 
“Não acredito que um único dos combatentes em Alepo quisesse um cessar-fogo. São assassinos e estão a assassinar-nos!”

“Se há trégua entre os EUA e a Rússia, não há entre a oposição e o regime”, resume Abu Mohamed.

Novo relatório indica que guerra na Síria já fez 470.000 mortos

PÚBLICO 
11/02/2016 - 09:31


Ao todo, 11,5% da população da Síria morreu ou ficou ferida desde o início da guerra, em Março de 2011, segundo um documento do Syrian Center for Policy Research.

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A guerra na Síria fez pelo menos 470.000 mortos e quase dois milhões de feridos, números muito superiores aos que costumam ser referidos com base na última contagem feita pelas Nações Unidas, segundo o relatório de um instituto sírio publicado esta quinta-feira.

O documento avalia o impacto de cinco anos de guerra na população, na economia e nas infra-estruturas da Síria, e foi elaborado pelo Syrian Center for Policy Research, que se apresenta como um think tank independente, não-governamental e sem fins lucrativos.

No total, segundo este relatório, 11,5% da população da Síria morreu ou ficou ferida desde o início da guerra, em Março de 2011. 
No mesmo período, a esperança média de vida desceu de 70 anos para 55,4 anos.

"As implicações da crise continuam a despedaçar a população da Síria no país e um pouco por todo o mundo devido à deslocação da população, às migrações, aos pedidos de asilo e ao constante aumento do número de mortos e feridos. 
A população caiu de 21,80 milhões de pessoas em 2010 para 20,44 em finais de 2015. 
A população total teria chegado aos 25,59 milhões de habitantes se o conflito não tivesse começado, pelo que a população real decresceu 21%", lê-se no relatório.

No final do ano passado, cerca de 45% da população síria tinha sido forçada a sair das suas casas devido à guerra, e mais de seis milhões de pessoas estão deslocadas no interior do território do país. 
Segundo o relatório do Syrian Center for Policy Research, mais de três milhões de pessoas fugiram do país como refugiados e 1,17 milhões migraram para outros países.

Dos 470.000 mortos, cerca de 400.000 foram vítimas directas de bombardeamentos, explosões e tiroteios, e as outras 70.000 não resistiram devido à falta de medicamentos, outros cuidados de saúde ou água potável.

"Achamos que os registos da ONU e as estimativas informais subestimam as baixas devido à falta de acesso à informação", disse ao jornal britânico The Guardian Rabie Nasser, autor do relatório.

Nasser diz que os seus métodos são "rigorosos" e estima que o número de mortes indirectas devido à guerra na Síria "vai ser ainda maior no futuro, apesar de muitas organizações não-governamentais e a ONU as ignorarem".

Aleppo continua debaixo das bombas, num dia que foi de acalmia noutras frentes

MUNDO
ANA FONSECA PEREIRA 30/04/2016 - 20:32


Rússia anuncia que não vai pressionar regime sírio a suspender ataques na segunda maior cidade do país. Em Latakia e nos arredores de Damasco "regime de calma" foi respeitado.
Só na manhã de sábado, a aviação de Assad lançou mais de 30 ataques sobre as zonas controladas pelos rebeldes

As armas calaram-se na província de Latakia, bastião do regime de Bashar al-Assad, e nos subúrbios a leste de Damasco, cumprindo o “regime de calma” negociado entre a Rússia e os Estados Unidos. 
Mas já não há trégua nem tentativas para a salvar em Alepo, a grande cidade do Norte da Síria, onde pelo nono dia consecutivo, os aviões voltaram a bombardear os bairros controlados pelos rebeldes.

“Até agora não houve actividade militar, nem sons de bombardeamentos nas áreas vizinhas”, disse à Reuters um habitante de Ghuta, o principal reduto da rebelião na região de Damasco e que foi, como os outros grandes campos de batalha, palco de intensos confrontos na última semana. 
O director do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, grupo que conta com uma rede de activistas no terreno, confirmou também a acalmia no norte da província de Latakia desde a madrugada de sábado.

É pouco claro o que acontecerá quando a trégua imposta aos beligerantes pelas duas potências internacionais terminar – em Ghuta foi apenas negociado um dia de tréguas, em Latakia três. 
Mas a iniciativa foi apresentada como uma tentativa para salvar a “cessação de hostilidades” decretada em Fevereiro e que, apesar de várias vezes violada, permitiu o regresso à mesa das negociações de representantes do Governo e da oposição. 
Uma iniciativa in-extremis perante as notícias de que Damasco se prepara para avançar sobre a metade Leste de Alepo, controlada desde 2012 pelos rebeldes e cercada desde o início do ano.

A delegação da oposição síria abandou na quarta-feira as negociações em Genebra e a hipótese de um regresso tornou-se ainda mais ténue perante o anúncio, feito neste sábado, de que a Rússia não vai pressionar Assad a suspender os bombardeamentos contra Alepo. 
“É preciso compreender que se trata aqui de uma luta contra a ameaça terrorista”, afirmou o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Guennadi Gatilov, citado pela agência Interfax. 
Moscovo classifica como terroristas vários dos grupos islamistas que combatem o Exército sírio nas províncias do Norte e já exigiu o seu afastamento das negociações. 

Civis em fuga

Fazendo eco das palavras de Gatilov, novos bombardeamentos atingiram durante a manhã deste sábado várias áreas da cidade – o Observatório contabilizou pelo menos 30 ataques, que terão feito pelo menos cinco mortos. 
Horas antes, ainda o sol não tinha nascido, um jornalista da AFP testemunhou a fuga de dezenas de pessoas do bairro de Bustan al-Qasr, um dos mais massacrados pelos bombardeamentos dos últimos dias. 
“A situação tornou-se insuportável”, explicou Abu Mohammad, que partia com a mulher e cinco filhos em busca de uma zona mais segura, deixando para trás a casa e a sua loja de electrodomésticos.

Nas áreas controladas pelo Governo, na zona ocidental da cidade, a situação esteve “um pouco mais calma” do que nos últimos dias, mas a espaços havia disparos da rebelião, afirmou o director da ONG, Rami Abdulrahman.

Na última semana, pelo menos 250 pessoas terão morrido em Alepo – 140 nas zonas controladas pelos rebeldes, 96 nos bairros nas mãos do Exército –, incluindo 27 funcionários e pacientes do hospital al-Quds, uma instituição apoiada pelos Médicos Sem Fronteiras onde trabalhava um dos últimos pediatras da cidade. 
A Turquia e a Arábia Saudita, apoiantes dos rebeldes, acusam Assad de estar a bloquear “voluntariamente” as negociações e de, com a cobertura dos seus aliados, estar a cometer “crimes de guerra”.

E se o horror já pouco incomoda, há números que ainda chocam. 
Um estudo divulgado nesta semana, conduzido pela Comissão Económica e Social da ONU para a Ásia Ocidental e a Universidade de St Andrews na Escócia, revela que 83,4% dos habitantes vivem em situação de pobreza (antes da guerra eram 28%). 
No país há 13,5 milhões de pessoas necessitadas de ajuda humanitária, quatro milhões só em Damasco e Alepo, e dos quase 500 hospitais que o país tinha a funcionar antes do início da guerra, mais de um terço (170) foram totalmente destruídos.

Aleppo está cercada e "toda a gente tem medo"

MUNDO
KARAM AL-MASRI (em Aleppo) 12/02/2016 - 16:39



A única estrada que ainda abastecia a cidade, a partir da Turquia, foi cortada. Os preços sobem vertiginosamente e a electricidade foi ainda mais racionada. Quase 300 mil pessoas estão isoladas.

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"O que acontecerá quando não houver mais nada para comer? Morremos de fome?". 
Como tantos habitantes de Alepo, Abu Mohammad teme que o pior aconteça à sua cidade, cercada pelas forças do regime de Damasco.

"Aqui, toda a gente tem medo do cerco. 
É inevitável sentirmos a sua proximidade", testemunha este vendedor ambulante de 42 anos do bairro de Firdaus (Paraíso, em árabe), no sudeste da grande cidade do Norte da Síria.

Desde que o exército, apoiado pelos russos, conseguiu, no início do mês, cortar a principal rota de abastecimento que a ligava a cidade à Turquia, este sentimento é generalizado em toda a zona de Alepo controlada pelos rebeldes.

O impacto desse corte fez-se sentir rapidamente: as lojas ficaram sem mercadorias, os preços dos produtos subiram vertiginosamente e o medo da penúria instalou-se entre os quase 300 mil habitantes que ficaram isolados.

"Tenho uma reserva de farinha, de arroz, de açúcar e de óleo que é suficiente para alimentar a minha família durante três meses, mais ou menos", diz, inquieto, Abu Omar, pai de três crianças que vive no bairro de Kallassé. 
"As matérias primas começam a escassear, várias lojas fecharam e os preços duplicaram", acrescenta. 
"O preço do litro do óleo combustível passou de 180 libras sírias [45 cêntimos] para 300 libras [75 cêntimos]. 
Só o usamos para nos aquecermos pois faz muito frio por estes dias".

No desemprego desde há um ano, este habitante de Alepo não pode pensar em refugiar-se na Turquia, como fizeram milhares de pessoas da cidade. 
Os traficantes cobram 200 dólares por pessoa pela passagem da fronteira, diz.

Para sair da zona controlada pelos rebeldes, só há uma estrada, chamada do Castello, que liga o Norte da segunda cidade mais importante síria e a fronteira com a Turquia.

Mas este caminho é bem mais longo e perigoso do que a estrada que era usada para o abastecimento da cidade cortada a 3 de Fevereiro.

Cinco anos depois do início da guerra, Alepo não tem qualquer semelhança com a cidade que era conhecida pelo seu dinamismo económico e pela sua gastronomia. 
Os seus célebres souks foram destruídos pelos combates e a cidade está dividida em dois desde 2012.

Os habitantes podem passar de um sector para o outro através de postos de controlo do exército apenas em casos excepcionais.

No bairro de Shaar, desfigurado pelos barris de explosivos lançados diariamente pelo regime, o comerciante Abu Ali, de 50 anos, garante "já não ter" provisões.

"Vinha tudo da Turquia, agora isso acabou. 
E as pessoas pararam de comprar", diz, desolado. 
"O que ganhei em duas semanas só dá para pagar o gerador da loja".

Mas Abu Mohammad, que tem que alimentar sete filhos, critica os comerciantes que "lucram com esta situação, aproveitando para fazer dinheiro". 
"Alguns deles escondem a mercadoria para venderem alguns dias depois, pelo dobro do preço", conta. 
Lamenta que um quilo de bananas custe "entre 150 e 300 libras" sírias e que um pacote de pão esteja por "100 ou 250".

Mohammad Jokhadar, um activista de 27 anos de Zabadiya, diz que já não recebem o óleo combustível que fazia trabalhar geradores, padarias e veículos. 
A corrente eléctrica "passou de 14 horas para seis" por dia.

Questionado sobre uma possível rendição da parte leste de Alepo, Abu Qorniya, um rebelde que participou nos combates no norte da cidade, afirma: "Isso seria uma catástrofe".

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, disse quarta-feira que estava "extremamente alarmado" com a rápida deterioração da situação em Alepo. 
Antes da ofensiva de Fevereiro, a ONU avaliou em meio milhão o número de pessoas que vivem em cidades sitiadas em toda a Síria. 
Mas as organizações não governamentais PAX (holandesa) e The Syria Institute (americana) dizem que são mais de um milhão.

A guerra deslocou 51 mil de pessoas da província de Alepo desde 1 de Fevereiro, indica a ONU - estão espalhadas pelos dez campos que surgiram junto à fronteira turca (que o governo de Ancara fechou) que já albergam cem mil pessoas.

Só Assad podia bombardear um hospital em Alepo, acusam todos

MUNDO
JOÃO RUELA RIBEIRO e CLARA BARATA 
28/04/2016 - 12:37 (actualizado às 19:13)

Morreram cerca de 200 pessoas em seis dias e hospital dos Médicos Sem Fronteiras foi atingido. 

Enviado da ONU fala na "catastrófica deterioração da situação nas últimas 24-48 horas".
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O Hospital Al-Quds tinha quatro médicos e 28 enfermeiros. 
Era uma estrutura fundamental na massacrada cidade de Alepo, no Norte da Síria. 
O exército de Bashar Al-Assad nega que o tenha escolhido como alvo, mas EUA e ONU dizem não não acreditar que tenha sido atingido por erro. 
Morreram pelo menos 27 pessoas, entre os quais pessoal médico..

Multiplicam-se os apelos a que o cessar-fogo que entrou em vigor a 27 de Fevereiro continue em vigor multiplicam-se, apesar de as negociações de paz sob a égide das Nações Unidas, em Genebra, se mostrarem infrutíferas. 
O maior obstáculo a um entendimento é precisamente o futuro do Presidente Assad.

Mas para os habitantes de Alepo, no Norte da Síria, o cessar-fogo decretado há dois meses na Síria está morto e enterrado, com a intensificação dos bombardeamentos. 
Desde 22 de Abril já morreram cerca de 200 pessoas e várias centenas ficaram feridas em ataques quase diários pelo Exército sírio, relata o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização com sede em Londres e informadores no terreno, citado pela AFP.

Jan Egeland, o chefe da missão de assistência humanitária da ONU na Síria, diz que “houve uma deterioração catastrófica da situação nas últimas 24-48 horas”, em Alepo e também em algumas zonas de Homs, mais a Sul, em direcção à fronteira com o Líbano.

"Não há dúvidas sobre a gravidade da situação", acrescentou. 
O bombardeamento ao hospital Al-Quds, apoiado pelos Médicos Sem Fronteiras, destruiu uma estrutura vital na cidade de Alepo. 
"Este ataque devastador destruiu o principal centro de referência para os cuidados pediátricos na área", disse a chefe da missão dos MSF na Síria, Muskilda Zancada. 
Ali trabalhavam oito médicos e 28 enfermeiros a tempo inteiro. 
Neste momento, há apenas uma estrada para entrar e sair da zona não-governamental, aumentando o risco de cerco, avisa a organização.

O Departamento de Estado norte-americano sublinha que apenas o regime sírio esteve envolvido no bombardeamento ao hospital, e a Casa Branca, através do seu porta-voz, diz estar “particularmente chocada” e pede à Rússia que “influencie” Damasco para evitar estes ataques “repreensíveis”. 
Moscovo assegura que não foram os seus aviões a bombardear o hospital.

Alepo tem sido o centro de uma escalada militar que levou ao colapso das negociações de paz nas últimas semanas. 
Os raides aéreos na madrugada de quinta-feira são vistos como o prelúdio para uma grande ofensiva governamental para tomar a cidade. 
Um dos principais jornais pró-regime, o Al-Watan, defendeu em editorial o lançamento da “batalha pela libertação completa” de Alepo. 

A oposição armada controla o Leste, mas está cercada pelas forças governamentais e a única ligação ao resto da cidade é feita por um corredor estreito, explica o The Guardian. 

Nervosismo de Damasco

Mas Damasco dá sinais de nervosismo, ao denunciar a chegada de 150 militares norte-americanos ao Nordeste da Síria, uma zona controlada pela milícia curda YPG, que considerou uma “agressão óbvia”.

Para agravar a situação, tem havido grandes combates a Norte de Alepo entre guerrilheiros apoiados pelos Estados Unidos e outros grupos rebeldes avança o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. 
A aliança das Forças Democráticas da Síria, que inclui a milícia curda YPG, a mais eficaz aliada norte-americana, tem lutado contra grupos apoiados que também são apoiados por países estrangeiros através da Turquia.

Nos mais recentes combates, na quarta-feira, nas aldeias de Ain Doqneh e al-Bayluniya, a cerca de 15 km da fronteira com a Turquia, morreram pelo menos 11 guerrilheiros das Forças Democráticas da Síria e 53 de outros grupos, diz a Reuters, citando o observatório.

Estes grupos lançaram um ataque para tentar recuperar território aos combatentes apoiados pelos EUA – com o apoio implícito de Ancara, que não gosta de ver os guerrilheiros curdos a aproximarem-se da sua fronteira, por receio de que o território para todos os efeitos independente que criaram no Nordeste da Síria se alargue até ao seu Sudeste, onde a maioria da população é curda.

Perante este complicado cenário, não é de admirar que a terceira ronda de negociações de paz tenha terminado quarta-feira sem progressos, depois de os principais representantes da oposição se terem afastado, em protesto contra a degradação da situação humanitária e as violações da trégua.

A Rússia propôs ainda que o Conselho de Segurança da ONU ponha na lista negra das organizações terroristas dois grupos rebeldes sírios, o Jaish al-Islam e o Ahrar al-Sham, acusando-os de terem ligações à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. 
Se nenhum membro do Conselho de Segurança se opuser até às 19h TMG de 11 de Maio, estas formações serão adicionadas à lista de sanções, disse uma pouco satisfeita fonte diplomática à Reuters. 
Este passo “não ajuda nada. Está apenas a tentar dividir a oposição”.

Na grande cidade síria de Aleppo, os civis não têm onde se esconder

MUNDO
SOFIA LORENA 29/04/2016 - 11:50 (actualizado às 17:51)


As principais orações da semana para os muçulmanos foram canceladas, a primeira vez que tal acontece em cinco anos de guerra em qualquer zona do país. 
Regime de Assad prepara-se para lançar a “guerra das guerras”.

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Várias mesquitas e uma clínica foram os alvos dos bombardeamentos do dia na grande cidade do Norte da Síria, Alepo, que o regime se prepara para tentar tomar. 
Pouco mais de um dia depois dos raides num hospital que mataram pelo menos 27 civis, incluindo crianças e médicos (um deles o último pediatra da cidade), outra clínica ficou completamente destruída, num novo ataque atribuído às forças de Bashar al-Assad. 
Já uma das mesquitas atingidas situa-se num bairro controlado pelo Governo e foi atacada por rebeldes.

A “cessação de hostilidades” acordada em Fevereiro já só existe no papel, depois da violência dos últimos dias, descrita pela ONU como “uma indiferença monstruosa de todas as partes” para com as vidas dos civis.

Apesar disso, Damasco e os seus aliados russos anunciaram um novo “regime de calma” a entrar em vigor ao início da madrugada de sábado nos arredores a leste de Damasco e na cidade portuária de Latakia. 
De acordo com o Exército de Assad, os combates vão parar durante 24 horas em Ghuta e três dias em Latakia, no que será a derradeira tentativa para salvar a trégua.

Nem uma palavra sobre Alepo, onde os civis não têm onde se esconder e as principais orações da semana para os muçulmanos foram canceladas esta sexta-feira, a primeira vez que tal acontece em cinco anos de guerra em qualquer zona do país. 
O apelo à suspensão das orações do meio-dia foi feito pelo Conselho Religioso de Alepo: “O coração dos fiéis está em sofrimento, mas preservar vidas é uma obrigação religiosa importante.”

Mais de 200 pessoas morreram nos bombardeamentos desta semana em Alepo, pelo menos 123 em bairros controlados por grupos rebeldes da oposição a Assad, quase todos cercados por forças do regime.

“Onde quer que se esteja ouvem-se explosões e disparos, e há aviões a sobrevoar”, descreve Valter Gros, que dirige o gabinete da Cruz Vermelha Internacional em Alepo. 
“Não há nenhum bairro da cidade que não tenha sido atingido. 
As pessoas estão a viver no limite. Toda a gente teme pela vida e ninguém sabe o que vai acontecer a seguir. 
As Nações Unidas falam numa “deterioração catastrófica” da situação humanitária na cidade, dividida desde o Verão de 2012 em bairros controlados pelo regime e pela oposição.

Foi uma ofensiva do regime e da Rússia em Alepo que atrasou as negociações e o início das tréguas. 
Na altura, especulava-se que Assad só ia negociar depois de tomar a cidade; quereria uma grande vitória para dobrar a oposição. 
Não foi até ao fim, mas obrigou dezenas de milhares de civis a fugir para junto da fronteira com a Turquia, onde nasceram novos campos de refugiados, e deixou os habitantes que restavam sem abastecimento eléctrico e quase sem comida, cuidados médicos ou água. 
Agora, avança de novo no terreno para fragilizar ainda mais uma oposição já muito vulnerável.

Escalada letal

A ONU teme que o cessar-fogo – nunca foi totalmente cumprido, mas permitiu a ilusão de normalidade a gente que vivia debaixo de fogo contante há meses ou anos – esteja em risco. 
“A violência está a crescer para os níveis que detectámos antes da cessação de hostilidades. 
Há sinais profundamente perturbadores de ampliação militar, indicando preparações para uma escalada letal”, avisa o responsável pelos Direitos Humanos da organização, Zeid Ra’ad al-Hussein.

Oficialmente, o regime não dá pormenores sobre a ofensiva em Alepo, mas o jornal pró-governo Al-Watan escreve que a “batalha decisiva” vai começar dentro de dias. 
Noutro jornal pró-Damasco, Al-Thawra, o comentador Nasser Qandil avisa os rebeldes na cidade que “a guerra das guerras” vai chegar nas próximas semanas.

“O cessar-fogo e as conversações de Genebra são a única hipótese disponível; se forem abandonadas agora, nem quero pensar quanto mais horror vamos assistir na Síria”, diz Zeid. 
Na quarta-feira, os grupos da oposição abandonaram uma nova ronda de conversações depois do anúncio por parte do regime que prepara com a Rússia uma nova grande ofensiva para reconquistar Alepo. 
Em cima da mesa estava a discussão de uma futura transição política.

“Estas negociações não têm vida própria, elas dependem do que se passa no terreno e ainda mais da influência russa e norte-americana”, admitiu em Genebra Bassma Kodmani, membro do Alto Grupo de Negociações, que junta grupos da oposição e rebeldes apoiados por países ocidentais, a Arábia Saudita, a Turquia e o Qatar.

“Como é que podemos ter discussões com resultados se só ouvimos falar de bombardeamentos e destruição?”, lamentava-se por seu turno o mediador da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. 
O diplomata apelou aos EUA e à Rússia para salvarem um cessar-fogo que, em teoria, ainda existe. 
Segundo Mistura, nas 48 horas que antecederam a última e mais uma vez fracassada ronda de negociações registou-se “um morto sírio a cada 25 minutos”. 
De acordo com as contas da ONU, a violência já matou 400 mil pessoas na Síria.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O apartamento do acusado no assassinato Nemcova encontrou as chaves do quarto senador Eremeeva no "Hotel President"

Nemtsov Murder
28 de abril de 2016, 14:13

O número da casa do apartamento 46 na Fan Street, onde viviam os acusados no assassinato do político Boris Nemtsov, encontrados dois cartões-chave electrónica do quarto no "Hotel President", que ocupou o senador da Chechénia Suleiman Geremeev, escreve RBC com referência à petição do advogado Vadim Prokhorov Olga Mikhailova.
Eles representam os interesses da família de Nemtsov.

Os dados que os quartos foram ocupados por Suleiman Geremevym, os investigadores receberam a resposta da recepção a seu pedido.

"É óbvio que as circunstâncias em que as chaves do Conselho da Federação, o quarto estava no apartamento onde viviam no assassinato Nemtsov acusados devem ser cuidadosamente examinados," - disse na petição.

Senador de Chechénia Ruslan Geremevu é um parente, o comandante da companhia do batalhão "Norte" checheno do Ministério do Interior.
Os últimos advogados consideraram o organizador do assassinato.

Os advogados da família de _ Nemtsov reiteraram que os investigadores não tinha entrevistado dez pessoas que, segundo eles, podem estar implicados no assassinato do político.
Isto é inclusive o chefe da Chechênia, Ramzan Kadyrov, o senador Geremeeve, deputado da Duma Adam Delimkhanov, comandante do controle da segurança privada checheno do Ministério do Interior Delimkhanov Sharipov, chefe do distrito de ATS Shelkovskoy Vahe República Geremeeve e chefe do batalhão "Norte" Alibek Delimahanove.

Representantes das vítimas pediram para interrogar a liderança chechena e republicano do Ministério do Interior, em abril do ano passado.

A petição é dirigida para o nome do investigador sênior para casos particularmente importantes Tutevicha Nicholas, que está a cargo do assassinato de Nemtsov.

Além disso, representantes das vítimas insistem em obter os registros das câmeras no Big Ponte Moskva no intervalo das 23:10-às 23:50 de 27 de fevereiro de 2015.
Mais cedo, FSO informou que não tinha registros com essas câmeras, e eles já receberam o Comité de Investigação.

Os advogados pediram aos investigadores para indiciarem os irmãos Ruslan e Arthur Geremeevym e interrogar o ex-polícia Shamkhan Tazabaeva, que serviu no checheno OMON.
Além disso, no pedido com uma referência à declaração de Rosreestra afirmou que Arthur Geremeev - proprietário de um apartamento no número da residência 46 na Rua Fan .
Segundo os advogados, o FSB apenas uma vez visitou a residência de Arthur Geremeeva para entregar-lhe uma intimação para interrogatório.
Em seguida, eles nunca abriram a porta.

Político Boris Nemtsov foi morto na noite de 27 de fevereiro, na Ponte Grande rio de Moscovo no centro de Moscovo.
Segundo os investigadores, ele foi baleado por Zaur Dadaev, e outras quatro pessoas - Anzor Gubashev, Khamzat Bach, Shadid Gubashev e Temirlan Eskerhanov - foram cúmplices no crime.
Todos eles estão na cadeia.
Além disso, no final de 2015, o acusado no caso tem se tornado Ruslan Muhudinov.
Ele é suspeito de organizar o crime e declarado um mandado de prisão internacional.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Medic intoxicada "Cyborgs ou" Simplesmente Tania ": vítima da guerra Crime da Rússia

Melinda Busch
2015/06/04

Dr. Tetyana Bilinski
Nota do Autor: O artigo que você está prestes a ler conta a história de um dos heróis da Ucrânia, Dr. Tetyana Bilinski. Originalmente de Lutsk, Volyn Oblast, Tetyana-treinada como uma anestesista-dedicou-se ao serviço do seu país. Agora, por causa do uso da Rússia da guerra química em flagrante desrespeito da Convenção de Genebra, esta médica altruísta encontra-se nos cuidados intensivos, precisando desesperadamente de um transplante de fígado para salvar sua vida. 
A cirurgia não pode ocorrer até que o dinheiro para pagar por ela estiver disponível. 
Enquanto alguns fundos foram levantados para proporcionar para as suas necessidades, eles ficam muito aquém dos 150.000 Euros (quase US $ 170.000) necessários para o seu tratamento. 
Se você gostaria de apoiar Tetyana com um presente monetário em qualquer quantidade, por favor, observe as informações no final deste artigo.

Desde os primeiros dias dos protestos Maidan, Tetyana Bilinski estava ativamente envolvida.
Ela estava lá quando manifestantes pacíficos foram espancados pela Berkut (polícia antimotim), e ela estava lá quando a violência aumentou durante os dias mais difíceis em 2014 de fevereiro, quando a polícia abriu fogo, matando dezenas e ferindo mais de mil.
Através de tudo isso, ela - junto com outros membros do grupo Maidan Médicos - estava lá para atender os feridos.

Em março de 2014, Tetyana sofreu um ataque cardíaco.
Uma vez que ela tinha recuperado a sua força, ela voltou para casa para Volyn.
Enquanto estava lá, ela aprendeu sobre "Hippokrat", uma unidade de voluntários de resposta rápida de médicos ucranianos que servem perto das linhas de frente.
Como membro desta organização, ela viajou ao sudeste para trabalhar em Pisky no Donetsk Oblast, perto do Aeroporto de Donetsk.
Várias vezes, ela evacuado soldados feridos na linha de fogo e salvos "Cyborgs", que estavam defendendo o aeroporto.

Em uma ocasião, enquanto Tetyana trabalhava no aeroporto, as posições do exército ucraniano ficaram sob bombardeamento de artilharia a partir de um sistema de armas Buratino.
O Buratino ( http://www.military-today.com/artillery/tos1.htm) é um lançador de foguetes múltiplo russo que dispara 220 granadas de  mm.
Ele não é usado pelo exército ucraniano e apareceu pela primeira vez no leste da Ucrânia, em meados de Janeiro de 2015.
Alguns dos projeteis disparados pelo Buratino foram latas contendo uma substância tóxica desconhecida.
Estas armas químicas, proibidas por um tratado internacional, ferido muitos combatentes; eles também feriram gravemente  Tetyana, que está em perigo de morrer em breve, se ela não receber um transplante de fígado.

Na primeira, Tetyana resignou-se a uma luta tranquila para a sua vida, recusando-se a pedir ajuda.
"Quem eu acho que eu sou?", Perguntou ela.
"Sou simplesmente Tania de Lutsk.
Eu não sou nenhum herói; os heróis são aqueles encontrados nas linhas de frente.
Tudo que fiz foi realizar minhas obrigações como médico, fiel ao juramento de Hipócrates ".
No entanto, após informações sobre Tetyana foi afixada em mídia social, os ucranianos responderam ansiosamente: grupos de Veteranos e o Volyn Oblast forneceu uma ambulância bem equipada; Cyborgs e guardas nacionais Lutsk doaram, assim como os alunos e cidadãos ucranianos comuns.
Ajuda também veio de além das fronteiras da Ucrânia: georgianos, italianos, Canadianos, e outros têm contribuído, e da cidade de Debrecen, Hungria já sediou Tetyana enquanto aguardam sua operação.
Apesar destes esforços, Tetyana permanece dezenas de milhares de dólares aquém do montante necessário, e o tempo está se esgotando rapidamente. Por enquanto, o tratamento foi parado até que os fundos suficientes possam ser levantadas.

Se você gostaria de participar em salvar a vida desta heroína ucraniana humilde, há uma variedade de opções:

* PrivatBank: informações de contato de Tetyana Bilinski de contribuições financeiras: PrivatBank: 4731 2171 1038 7485 c / o Bosko, Anna Lavrentieva (mãe)

* On-line: Um grupo de apoio formado no Facebook, e este é um projeto GoFundMe para Tetiana criado por um dos membros, Victoria Muzychuk.

* Conta Bélgica: 12 de maio de 2015: A seguinte informação é da irmã de Tatiana, Svitlana Vanhove, que vive na Bélgica. Por seu post Facebook: "Tetyana Bilinski é minha irmã. No final de janeiro, ela trabalhou como voluntária médica-na região de Donetsk aeroporto a cuidar de feridos . Ela foi envenenado por gases, e como resultado, ela tem síndrome de Budd-Chiari, que afeta o fígado. Sem tratamento urgente ela estaria terminal. Felizmente toda a Ucrânia está tentando reunir o dinheiro para a sua operação. Agora, graças à generosidade do povo ucraniano, ela está sendo tratada na Hungria. Seria simplesmente maravilhoso, se até aqui as pessoas também contribuiriam para a sua operação ao fígado. Eu não quero que minha irmã morra !!!!
O número da conta especial na Bélgica é BE06 0017 5558 5822 em de Vanhove-Vanhove, adicione "Para Tetyana Bilinski" como uma mensagem. Por favor, compartilhe isso também. Minha família e eu somos gratos com antecedência ".

























































Meus queridos!
Quero lembrar a cada um de vocês -
Você é a pessoa mais maravilhosa, única e interessante!
Você pode fazer qualquer coisa, se você só quiser !
Nós nos movemos em direção ao nosso objetivo passo a passo, e dar esse passo, como se tudo em nossa vida depende disso.
Seu sucesso realmente virá.
Você vai conseguir!
Teremos sucesso!
Você só tem que acreditar e não desistir!

Dr. Tetiana no hospital à espera de tratamento